domingo, 31 de janeiro de 2010

Todos os falsos do bbb serão barrados. Leia mais: do paredón ao paredão!

terça-feira, 14 de julho de 2009

Para Dorothy Parker

O Chato

Posso? Não. Está sozinha? Silêncio. Vem sempre aqui? Olhar levemente assombrado por tanta falta de sifragol. Está com alguma amiga? Ah, deixa eu adivinhar – já sentando. O seu nome é Mara... Mara... vilha. Ela se engasga com o vinho. Cavalheiro, por favor... Não fique encabulada. Você é tímida? Eu nem... olha, estou esperando uma pessoa. Vem sempre aqui? Diga apenas o seu nome, deve ser lindo... um nome de princesa. Começa a se abanar, pensa em trocar de mesa. Moço, eu... Não fique brabinha, mas sabe que você... brabinha, fica linda? Procura com os olhos o socorro de um garçom, mas estão todos ocupados. Faz menção de se levantar. Por favor, só cinco minutos, cinco minutos ao seu lado e será a glória! Não, não é esse o meu nome, quase se arrepende da bobagem que poderia lhe custar mais dez minutos de aporrinhação. E que felizmente nem foi percebida. Mas... afinal, você não vai me dizer qual é o seu nome? Nem sei se tenho nome. Pega uma de suas mãos e a beija. Assim já é demais. Que perfume você está usando? De novo, olha em torno, desesperada. O segurança está lá fora, muito ocupado em revistar as pessoas para não deixar entrar nenhum chato. Só uma dança, então... Se você me conceder só uma dança, prometo que vou embora, para sempre... Olha aqui! Saia imediatamente! Você está abusando da minha paciência. Ele sai, até que enfim, com uma cara desconsolada. Ela agradece aos céus. E se sobressalta. Acaba de ouvir sua voz, na mesa de trás: Olá!... Meu deus! O cara não se toca! – reclama para uma platéia invisível. Tá, me dê pelo menos o seu celular... De saco cheio, confere as horas no relógio de pulso. Só o telefone, então... E volta para a mesa, encarando-a com olhos fingidamente súplices. Ao mesmo tempo que os espicha até as pernas da garota que acaba de passar. Meu deus o que é que eu fiz!... Vá com ela, pelo amor de Deus, garanto que ela lhe dará bola! Perto de você todas são meras imitações. As outras são luminosas, você é iluminada... God!!! De onde é que você tira tanta... ah, deixa pra lá. Por favor, eu lhe imploro... Estou esperando uma pessoa que pode não gostar de lhe ver por aqui. Pior pra ele, eu não sou ciumento. Ok. Quanto você quer pra ir embora? Também assim já é demais. Agora eu me ofendi, agora eu sei que não sou querido por aqui... Mas não faz nada pra sair. Numa boa... só o celular. Tá eu me retiro. Você diz isso pra me alegrar. Fazendo voz e tom de menininho de cinco aninhos: só tentei numa boa, não quer não quer, aliás, quem não quer já tem. Ela começa a perceber que o teto do lugar está descascando. Passa uns segundos assim. E de repente... se dá conta. Ele se foi... Ele se foi? Calma, é cedo para comemorar. Segurando a respiração, espera mais um pouco pra dar um suspiro de alívio. Se foi?... Será verdade? Estou livre?... tamborila na mesa... tamborila na mesa... olha a porta... volta ao teto... olha as unhas, gosta daquele vermelho. Coça o queixo, e dá um suspiro. Saco! Ninguém para conversar! Se ao menos aparecesse alguém, qualquer um.

sábado, 4 de julho de 2009

Outro dia, ligo a tv num programa local e vejo que uma ou duas velhas jornalistas foram substituídas por duas jovens jornalistas. O que me leva a pensar: ora, como, por mais inteligentes que sejam as gurias, daquelas bocas sairá algo deveras interessante. A imagem da mulher ficará arranhada, pois quem vê, não se dá conta disso, ali estão apenas duas mulheres, as representantes do sexo feminino, em suma. Os homens, todos provectos (mas nem por isso mais sábios; de qualquer forma, aquela história de que o diabo vale mais por ser velho do que por ser diabo).
A coisa só muda quando as mulheres se decidirem a assumir os comandos. Se pondo na roda.
O personagem mais imbecil em geral fica para elas; da década de cinquenta, quando davam chiliques, até a propaganda das havaianas (Tristeeeza...) - a chata é a mulher.
E da boca das juniors, outro dia ouvi uma maravilha: que a Juliana Paes, que começou fazendo papel de empregada, agora, que era famosa, não precisaria mais... poderia fazer um papel importante!... (de patroa quem sabe) (chora Gogol).

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Sabe aquele sem noção que sempre aparece na tua vida, com a original pergunta: “O que é que uma garota linda como você está fazendo aqui sozinha?”
vai aí a minha colaboração nas respostas:

1) coçando a bunda
2) esperando o trem dos idiotas passar, mas até agora recém chegou o primeiro
3) apostei com uma amiga como nenhum veadinho mal resolvido iria passar sem puxar papo comigo e acabei de ganhar a aposta
4) vendo se a corrupção acaba no Brasil
5) esperando o salário mínimo chegar em mil e quinhentos reais.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Mulheres Perfeitas

A revolução das mulheres (acelerada pela revolução industrial) trouxe um reposicionamento no comportamento masculino, o que não é novidade. Os homens aprenderam a cuidar de suas casas. O que hipoteticamente deveria trazer como contrapartida um re-reposicionamento feminino: divididas as tarefas, caiamos todos na gandaia.
E é aí que a coisa se complica, pois a gente percebe que o que seria, ou teria sido, em princípio, um comportamento cultural, acaba virando neurose. Tem mulher que simplesmente não consegue levantar da mesa e cair na farra, a louça fica chamando da pia – como se tivesse ondas ultrassônicas conectadas diretamente ao seu cérebro.
Claro que não é fácil pra ninguém achar tempo para equilibrar trabalho com os cuidados necessários para manter a casa – leia-se alimentação, corpo, saúde, enfim – funcionando. Os homens acabam pecando pelo comodismo de serem desleixados, por terem tido, por séculos, a Maria cobrindo a retaguarda. Sem contar que não tão nem aí se ficarem barrigudos, grisalhos ou, porque não dizer, verdadeiros bagulhos que mais parecem pais de suas mulheres.
E não estou aqui a falar das minorias antenadas em ambas as frentes, é bom esclarecer.
Tem mulher que aprendeu o caminho do bar na happy hour e homem que não esquece de passar no super antes de voltar.
E esses, com toda certeza, terão menos chance de verem pratos voando ou de terem que dividir a guarda dos filhos.
A mulherada tem que aprender que a louça espera, que não precisa se sacrificar nem atormentar o pobre do companheiro como se a casa fosse uma sucursal de algum quartel nazi. E os caras têm que deixar de serem eternos bebezões-mangolões esperando pela mamãe.

A gente tem que dividir trabalho e... prazer!
Há uma linha muito tênue que perpassa entre a responsabilidade e a culpa, que antes se apresenta na forma de neura.
Eu mesmo, tenho que aprender a negociar comigo, antes de com mais alguém, o meu tempo e as minhas prioridades. E não é fácil...
Mas sem o prazer a gente não se renova. O Domenico de Masi, no seu brilhante O Ócio Criativo aposta em que as mulheres estariam mais preparadas para esses novos tempos, em que o lazer ou prazer aparece como protagonista em nossas vidas. Não sei. Antes vão ter que descobrir a sua importância, ou necessidade.
Vejo as mulheres se atirando em massa para tarefas maçantes e chatas. Tem muita mulher criadora, artista, sem dúvida, mas uma quantidade enorme de produtoras, com todos os deveres do backstage e sem a glória das luzes. Muitas produtoras nos programas de telejornalismo e poucas ocupando a frente das câmeras... E quando a ocupam, lastimavelmente, é menos por seus atributos intelectuais. Mas isso é outra história.
Conheço mulheres que, na véspera do dia da faxineira, chegam a dar uma geral na casa!!!... E faxineiras – já tive umas quantas assim – que reclamam do estado em que está o lugar (e não era nenhuma cabana de ogro), mas que, para seus clientes homens, deixam até um bolinho pronto.
As propagandas também não ajudam... Já viu aquela da pobre desgraçada-masoquista-burra se despentelhando pela rua e ligando para o marido (que tá numa boa em casa): Querido, faz um favor pra mim (!?)... liga o forno.
Tem uma nova, na qual o cara fala: - Querida! Tem que trocar o refil! (aquela coisa nojenta, e desnecessária, que fica no vaso sanitário) O lindinho não pode sujar as delicadas mãozinhas. Adoro!!! (quem os marqueteiros pensam em atingir com essa visão tão inovadora?)
Nos bons tempos da revista Cláudia, tinha uma secção que entregava propagandas desse porte. Tô até pensando em ressuscitá-la aqui no Barrados.
E tem até os grandes atos de masoquismo cinematográficos: como aquele da troca do tudo-de-bom Keanu Reaves pelo celulitésimo Jack Nicholson no Alguém tem que ceder... É de espantar que tenha sido dirigido por uma mulher, e já vi até mulher defendendo a escolha...

quarta-feira, 24 de junho de 2009


Discutindo a Relação seria o nome desse blog, mas não apenas daquele jeito.

A idéia seria “discutir a relação” que a gente tem com música, comida, gato, política, cinema, cachorro, educação, natureza, economia, amigos, televisão, festas, propaganda, grana, coleta seletiva, religião, democracia, elefante, água, pai, tendências, Amazônia, feminismo, vagabundagem, planeta Terra, prazer, vanguarda, sexo, drogas, rock’n’ roll e, claro, homens...


Até porque, se as três grandes religiões o fizeram, quem sou eu para me opor? O que se gastou de papel na Bíblia e semelhantes para aconselhar, pregar, determinar, proibir, encher o saco e meter a colher na relação humana entre homens e mulheres... dava pra repor três Amazônias.
A empreitada de um relacionamento é difícil, quase como tentar dançar tango de esporas.
Há até quem duvide que sejamos da mesma raça. E é por isso, talvez, que os “intercursos” entre o povo do mesmo gênero estejam fazendo tanto sucesso.

Acredito mesmo que não seja possível sequer discutir a questão a partir de diferenças tão marcantes.
Quer ver?

Imagine a seguinte situação: mulheres sentadas numa pracinha e eis que, de trás de uma árvore, surge o...TARADO! com a sua indefectível capa bege, e tudo. Quer dizer, sem nada, só a capa.
Vira caso de polícia.

Agora, inverta a situação.
Um grupo de homens está na pracinha, quando, de trás de um arbusto, surge ela... A TARADA! também de capa, e nada mais.
Perceberam?

I rest my case.